domingo, 2 de janeiro de 2011

n-g

e agora eu andava de bicicleta pelo aterro fechado. tinha havido uma dessas corridas patrocinadas, com tendas, carros de som e bonés. numa das curvas mais arborizadas, vi de longe centenas de copos dágua, usados, espalhados pelo asfalto. pareciam frutos falsos que as árvores tinham deixado cair. era um pedaço plastificado de outono dentro desse verão todo. agora a mágica: pelos fones de ouvido, vinha fake plastic trees (do radiohead).

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De tudo que vi em um dia
brotava em pedaladas
tendas
sons e rostos
e agora aqui e ali
só jaziam restos de
uma festa anunciada
sacos de passado inglório
denúncia de dias 
indóceis
buscava o sossego
onde tudo já era seco
e o desassossego brotava
fake plstic trees

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